
Luís Gonçalves iniciou a actividade profissional como docente, tendo inaugurado mais tarde um gabinete de arquitectura e engenharia. Em 1996 funda a Fepronor. Casado e com uma filha, aos 47 anos continua a investir nele e tem frequentado algumas acções de formação, ao nível da Higiene e Segurança do Trabalho, entre outras. Natural de Bragança, assume ainda o papel de filantropo e tem patrocinado algumas entidades desportivas e culturais da cidade.
A aposta num novo equipamento produtivo foi um dos factores decisivos para que a Fepronor - Ferro Pronto do Norte - fechasse 2005 com um crescimento de 15,3% face ao ano anterior. Trata-se de uma tecnologia de ponta que, segundo Luís Gonçalves, administrador da empresa, permite uma boa cadência de produção, com igual qualidade de produto final. Uma inovação da linha de produção para dar cabal resposta às exigências do mercado português e espanhol.
Com a fronteira a pouco mais de 30 quilómetros, e melhores vias de comunicação do que em Portugal, Luís Gonçalves garante que se demora "quase tanto tempo" a colocar produtos em Madrid como no Porto. "Colocamos a mercadoria em Espanha com bons tempos e a preços competitivos", assegura. Para o crescimento da Fepronor em 2005 foi decisivo o fornecimento de ferro moldado para os canais de regadio da barragem do Alqueva e ainda para a ampliação do metro de Madrid, no aeroporto de Barajas. "Foram duas obras importantes e que deram maior projecção à empresa", afirma o administrador.
A Fepronor, criada em 1996, fornece ferro varão - de 12 metros não trabalhados -, ferro moldado - execução e transformação de armaduras para betão - e ferro electrosoldado. Com uma capacidade para laborar de mil toneladas por mês, a empresa iniciou em Janeiro deste ano mais uma ampliação das infra-estruturas, com a construção de um novo pavilhão que, à partida, servirá para aumentar a capacidade de armazenamento. Até porque, por vezes, isso impede a empresa de dar uma resposta mais eficaz às encomendas. Mas não está totalmente descartada uma alteração do layout de produção, aproveitando o novo espaço. "Nunca tivemos qualquer tipo de queixa, mas sabemos que podemos sempre inovar mais um pouco", explica Luís Gonçalves.
Com 15 funcionários, dos quais dois trabalham no escritório e outros dois são os motoristas, a empresa não tem qualquer vendedor e é o próprio proprietário que faz os contactos com os clientes. Muitos sustentados numa base de amizade de vários anos. Para 2006, as perspectivas de crescimento situam-se entre os 6 e 10%. Para já, um dos concursos que a Fepronor pretende ganhar é a construção da ponte internacional de Quintanilha. Uma obra importante, ainda para mais porque "fica à porta de casa", defende Luís Gonçalves. "Embora a distància não represente um problema para a Fepronor", assegura.
Em termos de internacionalização, o empresário rejeita, para já, o crescimento para outros países. "Estamos muito satisfeitos com os mercados em que estamos presentes", justifica. Sobretudo quando a Espanha começa a ganhar cada vez mais peso na carteira de encomendas e representou, no ano passado, "um pouco mais de metade do volume de facturação". Além do mais, diz, "Espanha é um mercado mais interessante", sobretudo porque ai se paga em prazos menores do que em Portugal. "Temos clientes espanhóis que têm prazos de pagamento a 30 dias e, ao fim de cinco ou dez dias ja nos estão a pagar. Isto quando em Portugal se demora 90, 120 ou mais dias", garante. |