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Somos a empresa do ramo com a tecnologia mais avançada no país |
P- Há quanto tempo é que fundou esta empresa? R- Esta empresa abriu no dia 6 de Janeiro de 1996. Vai fazer, portanto, 11 anos em Janeiro de 2007. P- Inicialmente, com que objectivos começou? R- Inicialmente, tinha como objectivo fornecer essencialmente o distrito de Bragança porque a minha empresa estava destinada para montantes ou para um volume de negócios muito aquém daqueles que hoje possui. P- Qual é o produto que sai aqui da vossa empresa? R- Todo o tipo de materiais siderúrgicos, mas sobretudo ferro embalado e ferro transformado para grandes obras que se estão a realizar no nosso país e também em Espanha. P- No primeiro ano qual foi o volume de negócios? R- Facturámos 300 mil euros no ano de 1996, ano esse que para mim foi muito marcante porque ficou muito aquém da minha expectativa. A uma dada altura pensei que esta empresa não conseguiria sobreviver. P- Com quantos trabalhadores começou? R- Começámos com oito trabalhadores e não tinha que fazer para quatro. P- Qual era o volume de produção nessa altura? R- Atendendo às expectativas que tinha criado, o volume de produção nessa altura era muito reduzido porque não consegui que o produto penetrasse no mercado. P- E hoje qual é o volume, não em termos de dinheiro, mas em termos de toneladas de ferro? R- Hoje movimentamos por mês na totalidade na ordem das 3.300 toneladas, das quais 600 são de ferro transformado. As demais são outros produtos siderúrgicos, designadamente o ferro em varão, o ferro armado, as malhas electro-soldadas, os pregos, o arame recozido, chapa e outros. P- Quantos empregados tem neste momento? R- De há dois anos a esta parte somos 15 os que aqui trabalhamos. P- Neste momento, o seu mercado deixou de se cingir ao distrito de Bragança... R- Deixou, porque se eu continuasse a pensar só no distrito, a minha empresa hoje estaria fechada. Esta empresa começou a ter uma extensão grande após a entrada em grandes grupos de empresas de obras públicas, designadamente a Somague, a Mota e Engil, a Abrantina e outras. P- Como é que se apercebeu que tinha que fechar a empresa se ficasse apenas pelo distrito de Bragança? R- Porque as obras que havia eram de pequena dimensão, já estavam habituadas aos seus fornecedores tradicionais e, por mais esforço que fizesse, não conseguia entrar no mercado. P- E como é que conseguiu entrar nos grandes grupos da construção civil de que falou? R- Foi um trabalho que teve que se desenvolver, teve que se ir ao encontro das mesmas, expor aquilo que nós poderíamos fornecer. A primeira grande obra correu bem e a partir daí foi tudo muito mais fácil. P- Como é que consegue só com 15 empregados uma produção tão grande? R- Nós podemos dizer que, neste momento, deveremos ser a empresa do ramo, em Portugal, com uma tecnologia mais avançada em termos de máquinas. P- Isso quer dizer que uma empresa em Bragança para se implementar, sobreviver e ter sucesso, terá que ser mais competitiva do que as outras no litoral? R- Sim, terá que ser mais competitiva porque Bragança, como toda a gente sabe, tem problemas com pessoal e com a distância. P- A distância também se reflecte nos custos? R- A distância reflecte-se muito nos custos, se bem que nós aqui em Bragança acabamos por reduzir esses custos em virtude de termos grandes obras em Espanha. P- Mas esse factor da interioridade não foi um factor negativo para a Fepronor em relação às outras empresas. R- A salvação desta empresa, o facto da empresa estar no patamar em que está, foi devido às obras e aos clientes que temos na vizinha Espanha. P- Neste momento tem mais obras em Espanha do que em Portugal? R- Sim, temos mais obras em Espanha do que em Portugal. P- De há uns anos a esta parte a sua empresa começou a fazer parte do ranking das melhores mil empresas no país. Este ano, foi considerada a melhor de todas as PME do país, no ranking do DN. A que é que se deve isso? R- Isto deve-se ao trabalho na gestão desta empresa e de todas as pessoas que vestiram a camisola da mesma. P- Mas qual é o segredo dessa gestão para ter esses resultados tão positivos? R- Não sei explicar isso. P- Foi a primeira vez que teve esta distinção? R- Foi a primeira vez. P- No entanto no ranking das melhores mil pequenas e médias empresas, a ascensão tem vindo a acontecer de ano para ano. R- Todos os anos temos evoluído significativamente e isto está a chegar a um ponto-limite porque estamos a chegar ao limite das nossas capacidades e o mercado está a ficar saturado. Para esta empresa desenvolver mais, tinha que ser feito outro investimento e tínhamos que aumentar o número de empregados. Mas não estou a pensar partir para esses investimentos, pelo menos nos tempos mais próximos. P- Quais são as maiores dificuldades que tem sentido como empresário? R- Hoje em dia, o grande problema das empresas, tanto as ligadas ao comércio como as ligadas à indústria, como é o caso da Fepronor, é a cobrança dos pagamentos, porque há muitas dificuldades em cobrar, uma vez que a nossa economia está de rastos. Hoje temos que pensar duas vezes antes de pormos o material no nosso cliente e será melhor talvez ponderar a venda do que estar a ter problemas num futuro mais próximo. P- Acha que isso se deve às dificuldades do mercado ou a uma consciência ética ou falta dela da parte dos empresários? R- Penso que há muitos empresários que hoje poderiam estar numa situação mais favorável. O que se passa é que, numa fase em que era fácil ser empresário, porque se obtinham mais resultados, as pessoas não pensaram no futuro e acabaram por destruir a pouca riqueza que criaram em determinado momento. P- Acha que o sector da construção atingiu o limite das suas possibilidades em Bragança? R- Bragança, se não conseguir cativar indústria ou comércio, se não conseguir trazer gente para esta cidade, dificilmente sairá da situação negativa que está a atravessar. P- No sector da construção ou em todos os sectores? R- Em todos os sectores. P- Mas não lhe parece que o sector da construção será mais penalizado? R- Sim, porque era o motor da nossa economia. P- O que sentiu quando soube que tinha ficado em primeiro lugar no ranking das melhores pequenas e médias empresas em termos de gestão empresarial? R- Como é evidente, fiquei muito orgulhoso mas, por força da educação e da formação que recebi, sou uma pessoa que não gosto muito de demonstrar a posição que ocupo, sou uma pessoa bastante simples. P- Acha que o seu exemplo pode motivar outros empresários aqui da região a acreditarem que também é possível ser empresário de sucesso no interior? R- Eu digo muitas vezes que qualquer pessoa poderá conseguir ter um bom futuro em termos empresariais, se houver esforço e um pouco de sorte. Não podem é desanimar, porque isso aconteceu comigo. Eu nunca pensei chegar com a Fepronor ao lugar em que está. Esta empresa inicialmente tinha sido estruturada para ter um volume de negócios de 20% daquilo que tem neste momento. P- Como empresário, acha que deve investir aqui as mais-valias que vai adquirindo na sua empresa ou já equacionou sair daqui? R- Já equacionei sair daqui. P- Mas julga continuar? R- Até ao momento, julgo continuar. O dia de amanhã não sei. P- Acha que o Estado deveria dar mais incentivos do que os actuais para fixar empresas no interior? R- O Estado penso que é o maior responsável pelas cidades do interior estarem como estão, porque Bragança é uma capital de distrito e o Estado deveria preocupar-se um pouco mais com esta terra que tem falta de muitas infraestruturas. Deveria apoiar um pouco mais o empresário e cativar para aqui empresas que pudessem criar riqueza, porque ao criar riqueza criam-se postos de trabalho. P- A Fepronor tem uma componente social interessante, porque tem vindo desde há vários anos a apoiar colectividades desportivas. Porque é que a Fepronor aposta nessa divulgação? R- Penso que as empresas têm que apoiar a parte desportiva da terra onde estão instaladas. Penso que se esta empresa cria alguma riqueza, também poderá contribuir no sentido de ajudar esses grupos. Além de que, é claro, eu enquanto jovem também gostava de praticar o meu desporto. P- Tem algum retorno financeiro desse investimento? R- Não. Quando invisto na parte desportiva, não procuro retorno porque não é com a publicidade nas camisolas que vou conseguir mais ou menos clientes. Como disse, o mercado de Bragança para mim não tem significado. Não é a publicidade nas camisolas do Desportivo de Bragança que me vai fazer vender o ferro. P- Mas investir no Grupo Desportivo de Bragança é investir na Zona Norte. R- Investir no Grupo Desportivo de Bragança é investir no grupo desportivo mais representativo da cidade. P- Mas que vai jogar a vários locais da Zona Norte do país... R- Não é por aí que eu vendo mais ferro. |
| 21/11/2006 in A Voz do Nordeste |
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